Bailarina é morta por ex após ameaças: o que fazer para se proteger nesses casos


Ana Carolina Vieira, de 30 anos, é mais uma vítima da violência contra a mulher. Assassinada pelo ex-namorado, a modelo e bailarina cearense estava em São Paulo (SP) há menos de um ano para trabalhar e, quando soube que seu ex-namorado tinha vindo de sua cidade natal, Fortaleza, mostrou, através de mensagens trocadas com a família e com amigos, bastante preocupação. O cuidado, no entanto, não foi suficiente e Carol, como era conhecida, foi estrangulada por Anderson Rodrigues Leitão, de 27 anos. Em casos como esse, de ameça, o que uma mulher pode fazer para se proteger?

Morte de bailarina em São Paulo

Cartaz deixado pela bailarina na portaria do prédio

Ana Carolina, que já foi dançarina da banda Aviões do Forró e participante da seleção “Bailarina do Faustão” estava morando em São Paulo sozinha há menos de um ano. Na última sexta-feira, (30), seu ex-namorado, que mora em Fortaleza, veio para a capital paulista e apareceu na porta do condomínio onde a bailarina residia. Ao descobrir, Ana Carolina avisou os familiares e demonstrou estar com medo. Para garantir sua segurança, optou por ficar em casa.

De acordo com informações obtidas pelo site G1, ainda na sexta-feira o ex-namorado conseguiu entrar no prédio. Mas, a pedidos da modelo, foi retirado pelos zeladores. Na portaria, um documento com fotos e instruções foi deixado por ela para que a entrada de Anderson não fosse autorizada. Contudo, na segunda-feira o rapaz entrou no apartamento - ainda não se sabe ao certo se com permissão de Carol ou não.

Feminicídio

Na quarta-feira (4), o corpo de Ana Carolina foi encontrado por um porteiro, que estranhou o cheiro vindo do apartamento e, como a porta estava aberta, entrou. O corpo estava na cama e incensos estavam acesos para disfarçar o cheiro. Anderson tinha deixado o prédio no mesmo dia, na parte da manhã.

De acordo com as investigações, que ainda não foram concluídas, Ana Carolina estava morta há dois dias. Em declaração dada ao G1, Anderson confessa o crime. Após encontrar mensagens e fotos no celular da bailarina, ele teve uma crise de ciúmes. Segundo o acusado, durante a discussão, a bailarina disse que ele era muito invasivo e tentou arranhá-lo. “Ela me arranhou e como eu sou mais forte, inverti a situação. A gente estava na cama. Ela morreu estrangulada”, confessou. O acusado ainda contou que tentou se matar tomando veneno e passou dois dias ao lado do corpo, penteando os cabelos, passando maquiagem e até respondendo mensagens que chegavam no celular da dançarina.


De acordo com informações publicadas pelo G1, Ana Carolina teria autorizado a subida do ex-namorado na segunda-feira, após muita insistência. A mãe da bailarina, no entanto, diz ao site Ego que não acredita que a filha tenha permitido sua entrada. “Tenho certeza que minha filha não o deixou entrar no apartamento dela porque ela estava com medo dele. Depois de matá-la, ele ainda ficou se passando por ela. Me mandou mensagens dizendo que estava tudo bem. Foi um covarde”, declarou.

Segundo informações de familiares e amigos, a modelo já recebia ameaças do ex há pelo menos um mês. Para a mãe, ele veio até São Paulo pretendendo assassiná-la e merece ser punido. “A pessoa tem de ter o direito de poder terminar uma relação. Vou lutar pela justiça porque isso não pode ficar impune. Se ele for solto, outra mulher pode estar em perigo. Infelizmente nós mulheres ainda somos frágeis. Acreditamos no amor e ele foi um dissimulado, frio e calculista”, disse ao Ego.

Como se proteger em casos de ameaça: medidas legais

Violência deve ser amparada com medidas legais e apoio e proteção de pessoas próximas

A história de Ana Carolina é triste e, infelizmente, mostra como o assassinato de mulheres por ex-companheiros é um problema latente no país. Segundo o Mapa da Violência 2012, divulgado pelo Instituto Sangari, na última década houve aumento de 230% de mortes em relação a períodos anteriores.

Com o intuito de evitar os crimes, a Justiça Brasileira, no entanto, prevê algumasmedidas de prevenção para estes casos.

De acordo o advogado Alexandre de Almeida Gonçalves, especialista em Direito da Família, a primeira coisa que deve ser feita após a primeira ameaça ou agressão, seja física ou psicológica, é a denúncia. Ela pode deve feita, preferencialmente, em uma Delegacia da Mulher, lugar que tem suporte para receber estes casos. As Delegacias de Polícia Militar, no entanto, também podem fazer os registros.

A partir da denúncia, uma medida preventiva pode ser solicitada para que o agressor permaneça longe da vítima. Elas são emitidas por juízes em um curto espaço de tempo. Depois, o processo deve seguir com o auxílio de um advogado da Procuradoria Pública e com supervisão do Ministério Público.

Estou sendo ameaçada: o que fazer?

Além das medidas legais, outros cuidados devem ser tomados. Afastar-se do agressor é o primeiro deles. Após estar em segurança, é essencial contar o que está acontecendo para pessoas de segurança, incluindo amigos e familiares que poderão, caso seja preciso, intervir com mais certeza.


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